quinta-feira, 27 de agosto de 2015

TIPOLOGIA TEXTUAL

Tipos de Textos


Os tipos de textos, são classificados de acordo com sua estrutura, objetivo e finalidade. De maneira geral, a tipologia textual é dividida em: texto narrativo, descritivo, dissertativo, expositivo e injuntivo.
Um texto puro, ou seja, um texto apenas descritivo ou apenas narrativo é quase uma lenda. O mais comum é encontrarmos os vários tipos em um só texto. Por isso é importante que observemos com atenção um texto, afim de caracteriza-lo.

Texto Narrativo

A marca fundamental do texto narrativo é a existência de um enredo, do qual se desenvolvem as ações das personagens, marcadas pelo tempo e pelo espaço. Assim, a narração possui um narrador (quem apresenta a trama), as personagens (principais e secundárias), o tempo (cronológico ou psicológico) e o espaço (local que se desenvolve a história). Sua estrutura básica é: apresentação, desenvolvimento, clímax e desfecho.

Para saber mais: Texto Narrativo

Texto Descritivo

O texto descritivo expõe apreciações e observações, de modo que indica aspectos, características, detalhes singulares e pormenores, seja de um objeto, lugar, pessoa ou fato. Dessa maneira, alguns recursos linguísticos relevantes na estruturação dos textos descritivos são: a utilização de adjetivos, verbos de ligações, metáforas e comparações.

Para saber mais: Texto Descritivo

Texto Dissertativo

O texto dissertativo busca defender uma ideia e, logo, é baseado na argumentação e no desenvolvimento de um tema. Para tanto, sua estrutura, dividida em três partes fundamentais, tese (introdução), antítese (desenvolvimento) e nova tese (conclusão), define o modelo básico para apresentar uma tese (ideia, tema, assunto), explorar argumentos contra e a favor (antítese) e, por fim, sugerir uma nova tese, ou seja, uma nova ideia para concluir sua fundamentação. Os textos dissertativos-argumentativos, além de ser um texto opinativo, busca persuadir o leitor.

Para saber mais: Texto Dissertativo

Texto Expositivo

O texto expositivo pretende apresentar um tema, a partir de recursos como a conceituação, a definição, a descrição, a comparação, a informação e enumeração. Dessa forma, uma palestra, seminário ou entrevista são consideradas textos expositivos, cujo objetivo central do emissor é explanar, discutir, explicar sobre um assunto. São classificados em: texto informativo-expositivo (transmissão de informações) ou texto expositivo-argumentativo (defesa de opinião sobre um tema). Outros exemplos de textos expositivos são os verbetes de dicionários e as enciclopédias.

Para saber mais: Texto Expositivo

Texto Injuntivo

O texto injuntivo ou instrucional está pautado na explicação e no método para a realização de algo, por exemplo, uma receita de bolo, bula de remédio, manual de instruções e propagandas. Dessa forma, um dos recursos linguísticos marcantes desse tipo de texto, é a utilização dos verbos no imperativo, de modo a indicar uma "ordem", por exemplo, na receita de bolo: “misture todos os ingredientes”; bula de remédio “tome duas cápsulas por dia”; manual de instruções “aperte a tecla amarela”; propagandas “vista essa camisa”.

Para saber mais: Texto Injuntivo

TESTE SEUS CONHECIMENTOS
 Atividade Oline sobre Tipologia textual

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

SEMÃNTICA

SEMÃNTICA

DEFINIÇÃO
Em linguística, Semântica estuda o significado e a interpretação do significado de uma palavra, de um signo, de uma frase ou de uma expressão em um determinado contexto. Nesse campo de estudo se analisa, também, as mudanças de sentido que ocorrem nas formas linguísticas devido a alguns fatores, tais como tempo e espaço geográfico.

 Significação das Palavras
Quanto à significação, as palavras são divididas nas seguintes categorias:

SINÔNIMOS
As palavras que possuem significados próximos são chamadas sinônimos.
Exemplos:
casa - lar - moradia - residência
longe - distante
delicioso - saboroso
carro - automóvel

Observe que o sentido dessas palavras são próximos, mas não são exatamente equivalentes. Dificilmente encontraremos um sinônimo perfeito, uma palavra que signifique exatamente a mesma coisa que outra.
Há uma pequena diferença de significado entre palavras sinônimas. Veja que, embora casa e lar sejam sinônimos, ficaria estranho se falássemos a seguinte frase:
Comprei um novo lar.
Obs.: o uso de palavras sinônimas pode ser de grande utilidade nos processos de retomada de elementos que inter-relacionam as partes dos textos.

ANTÔNIMOS
São palavras que possuem significados opostos, contrários. 
Exemplos:
mal / bem
ausência / presença
fraco /  forte
claro / escuro
subir / descer
cheio / vazio
possível / impossível

POLISSEMIA
Polissemia é a propriedade que uma mesma palavra tem de apresentar mais de um significado nos múltiplos contextos em que aparece. 

Veja alguns exemplos de palavras polissêmicas:
cabo (posto militar, acidente geográfico, cabo da vassoura, da faca)
banco (instituição comercial financeira, assento)
manga (parte da roupa, fruta)

HOMÔNIMOS
São palavras que possuem a mesma pronúncia (algumas vezes, a mesma grafia), mas significados diferentes. 
Veja alguns exemplos no quadro abaixo:

acender (colocar fogo)
ascender (subir)
acento (sinal gráfico)
assento (local onde se senta)
acerto (ato de acertar)
asserto (afirmação)
apreçar (ajustar o preço)
apressar (tornar rápido)
bucheiro (tripeiro)
buxeiro (pequeno arbusto)
bucho (estômago)
buxo (arbusto)
caçar (perseguir animais)
cassar (tornar sem efeito)
cegar (deixar cego)
segar (cortar, ceifar)
cela (pequeno quarto)
sela (forma do verbo selar; arreio)
censo (recenseamento)
senso (entendimento, juízo)
céptico (descrente)
séptico (que causa infecção)
cerração (nevoeiro)
serração (ato de serrar)
cerrar (fechar)
serrar (cortar)
cervo (veado)
servo (criado)
chá (bebida)
xá (antigo soberano do Irã)
cheque (ordem de pagamento)
xeque (lance no jogo de xadrez)
círio (vela)
sírio (natural da Síria)
cito (forma do verbo citar)
sito (situado)
concertar (ajustar, combinar)
consertar (reparar, corrigir)
concerto (sessão musical)
conserto (reparo)
coser (costurar)
cozer (cozinhar)
esotérico (secreto)
exotérico (que se expõe em público)
espectador (aquele que assiste)
expectador (aquele que tem esperança, que espera)
esperto (perspicaz)
experto (experiente, perito)
espiar (observar)
expiar (pagar pena)
espirar (soprar, exalar)
expirar (terminar)
estático (imóvel)
extático (admirado)
esterno (osso do peito)
externo (exterior)
estrato (camada)
extrato (o que se extrai de algo)
estremar (demarcar)
extremar (exaltar, sublimar)
incerto (não certo, impreciso)
inserto (inserido, introduzido)
incipiente (principiante)
insipiente (ignorante)
laço (nó)
lasso (frouxo)
ruço (pardacento, grisalho)
russo (natural da Rússia)
tacha (prego pequeno)
taxa (imposto, tributo)
tachar (atribuir defeito a)
taxar (fixar taxa)


Homônimos Perfeitos
Possuem a mesma grafia e o mesmo som.
Por Exemplo:
Eu cedo este lugar para a professora. (cedo = verbo)
Cheguei cedo para a entrevista. (cedo = advérbio de tempo)

Atenção:
Existem algumas palavras  que possuem a mesma escrita (grafia), mas a pronúncia e o significado são sempre diferentes. Essas palavras são chamadas de homógrafas e são uma subclasse dos homônimos. Observe os exemplos:
almoço (substantivo, nome da refeição)
almoço (forma do verbo almoçar na 1ª pessoa do sing. do tempo presente do modo indicativo)

gosto (substantivo)
gosto (forma do verbo gostar na 1ª pessoa do sing. do tempo presente do modo indicativo)

PARÔNIMOS
É a relação que se estabelece entre palavras que possuem significados diferentes, mas são muito parecidas na pronúncia e na escrita. Veja alguns exemplos no quadro abaixo.

absolver (perdoar, inocentar)
absorver (aspirar, sorver)
apóstrofe (figura de linguagem)
apóstrofo (sinal gráfico)
aprender (tomar conhecimento)
apreender (capturar, assimilar)
arrear (pôr arreios)
arriar (descer, cair)
ascensão (subida)
assunção (elevação a um cargo)
bebedor (aquele que bebe)
bebedouro (local onde se bebe)
cavaleiro (que cavalga)
cavalheiro (homem gentil)
comprimento (extensão)
cumprimento (saudação)
deferir (atender)
diferir (distinguir-se, divergir)
delatar (denunciar)
dilatar (alargar)
descrição (ato de descrever)
discrição (reserva, prudência)
descriminar (tirar a culpa)
discriminar (distinguir)
despensa (local onde se guardam mantimentos)
dispensa (ato de dispensar)
docente (relativo a professores)
discente (relativo a alunos)
emigrar (deixar um país)
imigrar (entrar num país)
eminência (elevado)
iminência (qualidade do que está iminente)
eminente (elevado)
iminente (prestes a ocorrer)
esbaforido (ofegante, apressado)
espavorido (apavorado)
estada (permanência em um lugar)
estadia (permanência temporária em um lugar)
flagrante (evidente)
fragrante (perfumado)
fluir (transcorrer, decorrer)
fruir (desfrutar)
fusível (aquilo que funde)
fuzil (arma de fogo)
imergir (afundar)
emergir (vir à tona)
inflação (alta dos preços)
infração (violação)
infligir (aplicar pena)
infringir (violar, desrespeitar)
mandado (ordem judicial)
mandato (procuração)
peão (aquele que anda a pé, domador de cavalos)
pião (tipo de brinquedo)
precedente (que vem antes)
procedente (proveniente; que tem fundamento)
ratificar (confirmar)
retificar (corrigir)
recrear (divertir)
recriar (criar novamente)
soar (produzir som)
suar (transpirar)
sortir (abastecer, misturar)
surtir (produzir efeito)
sustar (suspender)
suster (sustentar)
tráfego (trânsito)
tráfico (comércio ilegal)
vadear (atravessar a vau)
vadiar (andar ociosamente)


PRATIQUE COM ATIVIDADES SOBRE SEMÃNTICA
Atividade Oline sobre Semãntica

quarta-feira, 3 de junho de 2015

TROVADORISMO - LITERATURA


TROVADORISMO
PRIMEIRA ÉPOCA MEDIEVAL

CONTEXTO HISTÓRICO
Designa-se por Trovadorismo o período que engloba a produção literária de Portugal durante seus primeiros séculos de existência (séc. XII ao XV).
Durante essa época a poesia alcançou grande popularidade, não somente entre os nobres da corte mas também entre as pessoas comuns do povo.
Os poemas eram cantados e acompanhados de instrumentos musicais e danças, por causa disso, foram denominados cantigas.
Momento final da Idade Média na Península Ibérica, onde a cultura apresenta a religiosidade como elemento marcante.
A vida do homem medieval é totalmente norteada pelos valores religiosos e para a salvação da alma.
São comuns procissões, romarias, construção de templos religiosos, missas etc.
A arte reflete, então, esse sentimento religioso em que tudo gira em torno de Deus.
Por isso, essa época é chamada de Teocêntrica.
As relações sociais estão baseadas também na submissão aos senhores feudais. Estes eram os detentores da posse da terra, habitavam castelos e exerciam o poder absoluto sobre seus servos ou vassalos.
Há bastante distanciamento entre as classes sociais, marcando bem a superioridade de uma sobre a outra.
O marco inicial do Trovadorismo data da primeira cantiga feita por Paio Soares Taveirós, provavelmente em 1198, entitulada Cantiga da Ribeirinha.

CARACTERÍSTICAS
A poesia desta época compõe-se basicamente de cantigas, geralmente com acompanhamento de instrumentos (alaúde, flauta, viola, gaita etc.).
Os autores dessas cantigas eram chamados de trovadores . Esses poetas faziam parte da nobreza ou do clero e, além da letra, criavam a música das composições que eram executadas nas cortes.
Já nas camadas populares, quem cantava e executava as canções, mas não as criava, eram os jograis.
Mais tarde, as cantigas foram copiladas em Cancioneiros.
Os mais importantes Cancioneiros desta época são o da Ajuda, o da Biblioteca Nacional e o da Vaticana.

As cantigas eram cantadas no idioma galego-português e dividem-se em dois tipos:
→líricas (de amor e de amigo);
→ satíricas (de escárnio e mal-dizer).
Do ponto de vista literário, as cantigas líricas apresentam maior potencial pois formam a base da poesia lírica portuguesa e até brasileira.
Já as cantigas satíricas, geralmente, tratavam de personalidades da época, numa linguagem popular e muitas vezes obscena.

CANTIGAS DE AMOR
- Origem em Provença, região da França.
- Trazidas através dos eventos religiosos e contatos entre as cortes.
- Tratam, geralmente, de um relacionamento amoroso, em que o trovador canta seu amor a uma dama, normalmente de posição social superior, inatingível.
- Refletindo a relação social de servidão, o trovador roga a dama que aceite sua dedicação e submissão.
Eu-lírico - masculino


EXEMPLO
Perguntar-vos quero por Deus
Senhor fremosa, que vos fez
mesurada e de bon prez,
que pecados foron os meus
que nunca tevestes por bem
de nunca mi fazerdes ben.

Pero sempre vos soub'amar
des aquel dia que vos vi,
mays que os meus olhos en mi,
e assy o quis Deus guisar,
que nunca tevestes por bem
de nunca mi fazerdes ben.

Des que vos vi, sempr'o maior
ben que vos podia querer
vos quigi, a todo meu poder,
e pero quis Nostro Senhor
que nunca tevestes por bem
de nunca mi fazerdes ben.

Mays, senhor, ainda con bem
se cobraria ben por ben.
(Don Dinis, rei de Portugal que viveu entre 1261 – 1325)

CANTIGAS DE AMIGO
- Este tipo de texto apresenta um eu-lírico feminino.
- O trovador compõe a cantiga, mas o ponto de vista é feminino.
- Tem como tema o sofrimento da mulher à espera do namorado (chamado "amigo"), a dor do amor não correspondido, as saudades, os ciúmes, as confissões da mulher a suas amigas, etc.

- Os elementos da natureza estão sempre presentes, além de pessoas do ambiente familiar, evidenciando o caráter popular da cantiga de amigo.
- Eu-lírico – feminino

EXEMPLO

Ondas do mar de Vigo,
se vistes meu amigo!
E ai Deus, se verrá cedo!

Ondas do mar levado,
se vistes meu amado!
E ai Deus, se verrá cedo!

Se vistes meu amigo,
o por que eu sospiro!
E ai Deus, se verrá cedo!
Se vistes meu amado,
por que hei gran cuidado!
E ai Deus, se verrá cedo!
Martin Codax

CANTIGAS SATÍRICAS
Nessas cantigas os trovadores preocupavam-se em denunciar os falsos valores morais vigentes, atingindo todas as classes sociais: senhores feudais, clérigos, povo e até eles próprios.

Dividem-se em:
Cantigas de escárnio - crítica indireta e irônica
Cantigas de maldizer - crítica direta e mais grosseira

EXEMPLO: CANTIGA DE ESCÁRNIO

Ai, dona fea, foste-vos queixar
que vos nunca louv[o] em meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar
em que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!...

Dona fea, se Deus me perdon,
pois avedes [a] tan gran coraçon
que vos eu loe, en esta razon
vos quero já loar toda via;
e vedes qual será a loaçon:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, nunca vos eu loei
en meu trobar, pero muito trobei;
mais ora já un bon cantar farei,
en que vos loarei toda via;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia!
Joan Garcia de Guilhade

EXEMPLO: CANTIGA DE MALDIZER

Maria Peres se mãefestou 
noutro dia, ca por pecador 
se sentiu, e log' a Nostro Senhor
prometeu, pelo mal em que andou,
que tevess' um clérig' a seu poder, 
polos pecados que lhi faz fazer
o demo, com que x'ela sempr'andou. 
Mãefestou-se, ca  diz que s'achou
pecador mui't, porém, rogador
foi log' a Deus, ca teve por melhor
de guardar a El ca o que a guardou
E mentre  viva diz que quer teer
um clérigo, com que se defender
possa do demo, que sempre guardou


E pois  que bem seus pecados catou
de sa mor' ouv  ela gram pavor
e d'esmolar ouv' ela gram sabor 
E logo entom um clérico filhou 
e deu-lhe a cama em que sol jazer 
E diz que o terrá mentre viver
e esta fará; todo por Deus filhou. 

E pois que s'este preito  começou,
antr'eles ambos ouve grand'amor.
Antr'el  á sempr'o demo maior
atá que se Balteira confessou.
Mais pois que viu o clérigo caer,
antre'eles ambos ouv'i  a perder
o demo, dês que (desde que) s'ela confessou.  

(Fernando Velho)

A PROSA TROVADORESCA

Nesse período o gênero narrativo também foi cultivado, especialmente, as novelas de cavalaria, pois a idade Média era a época dos cavaleiros medievais, a base da força militar dos senhores dos feudos. Pertencer à cavalaria significava riqueza, honra e glória.

Combate entre vilões e heróis, raptos de donzelas e final feliz: eram os ingredientes das novelas de cavalaria, histórias populares da Europa nos séculos XV e XVI. Feitas para serem lidas em voz alta, essas narrativas originaram-se dos antigos poemas de assuntos de guerreiros denominados canções de gesta
Esta literatura constituiu um vigoroso movimento em toda a cultura européia. Os ingredientes dessas novelas fantásticas continuam vivos em muitas manifestações artísticas.
São relatos em verso dos acontecimentos históricos e das façanhas de valentes guerreiros. No ambiente de guerra e conquista da época, as narrações das canções de gesta entusiasmavam o público e serviam de exemplo aos cavaleiros e às tropas sob comando de um rei.

Amadis de Gaula
Uma das novelas de cavalaria mais populares da Europa no século XV. Amadis é um valente cavaleiro, apaixonado por Oriana, de quem era pajem.
Ainda hoje, não se sabe ao certo se originariamente esta obra tem autoria portuguesa ou espanhola. O que se conhece é que ela é uma obra peninsular e melhor representa a galanteria palaciana.
Amadis ordenou-lhe então que pusesse a donzela de Dinamarca em cima de um dos cavalos que andavam à solta. E, pondo Oriana sobre o palafrém da donzela, partiram de ali tão alegres que mais não podiam ser. Amadis levava sua senhora pela rédea. Ela ia-lhe dizendo o quanto se sentia amedrontada com todos aqueles cavaleiros mortos e que ainda estava fora de si. E ele respondeu-lhe:
_ Muito mais espantosa e cruel é aquela morte em que eu por vós padeço. Senhora, doei-vos de mim e lembrai-vos do que me prometestes. Se até aqui me sustive, foi só porque creio que não estava em vossa mão o poder de dar-me mais do que me dáveis. Mas, se de aqui em diante, vendo-vos, senhora, em tanta liberdade, não acudísseis ao meu desejo,
Nenhuma cousa bastaria já para me fazer suportar a vida; antes seria acabada com a mais rabiosa ânsia que jamais se viu.
João de Barros
Algumas obras sobre as novelas de cavalaria
- A Morte do Rei Arthur – século XIII
- Contos e Lendas dos Cavaleiros da Távora Redonda.

OUTRAS FORMAS DE PROSAS NO TROVADORISMO

Hariografias- biografia de santos
Nobiliários - relatos genealógicos de famílias nobres
Cronicões- relatam, de forma romanceada, os episódios históricos/sociais do século XIV